Ex-campeão de natação formado pela UPenn lidera projetos de iPhone, Mac e Apple Watch há mais de 20 anos. CEO atual sinalizou cansaço e deve virar presidente do conselho em breve.
A Apple está prestes a passar por sua maior mudança de liderança desde 2011, quando Steve Jobs entregou as chaves da empresa para Tim Cook. E o nome que mais circula nos bastidores de Cupertino como provável sucessor pode surpreender muita gente: John Ternus, um engenheiro discreto de 50 anos que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.
Enquanto Tim Cook, agora com 65 anos, já sinalizou internamente que está cansado e quer reduzir sua carga de trabalho, Ternus emerge como o favorito absoluto entre os executivos internos para assumir o comando de uma das empresas mais valiosas do planeta.
Se você tem um iPhone, iPad, Mac ou Apple Watch, há grandes chances de que John Ternus tenha participado diretamente do desenvolvimento desses aparelhos. Como vice-presidente sênior de engenharia de hardware da Apple desde 2021, ele comanda praticamente todas as linhas de produtos físicos da empresa.
Mas sua história na Apple começou bem antes disso. Ternus entrou na companhia em 2001 — sim, há mais de duas décadas — num momento crucial da história da marca, quando a empresa ainda estava se recuperando de seus anos difíceis nos anos 90.
Sua trajetória impressiona:
Uma história em particular ilustra perfeitamente como Ternus pensa. Por volta de 2018, a Apple estudava adicionar um pequeno sensor laser (LiDAR) aos iPhones. A tecnologia permitiria fotos melhores, mapeamento mais preciso do ambiente e novos recursos de realidade aumentada — tudo muito legal.
Entretanto, custaria cerca de US$ 40 extras por aparelho, mordendo diretamente os lucros da empresa.
Então, a solução de Ternus foi brilhantemente simples: incluir o componente apenas nos modelos Pro do iPhone, que são comprados pelos clientes mais fiéis e dispostos a pagar por tecnologia de ponta, visto que os consumidores comuns, que compram os modelos básicos, provavelmente nem notariam a diferença.
Essa capacidade de equilibrar inovação com rentabilidade define perfeitamente seu estilo de liderança: cuidadoso, detalhista e extremamente focado no resultado financeiro.
A urgência aumentou no ano passado, quando a Apple começou a acelerar os planos de sucessão de Tim Cook. Logo após fontes próximas à empresa revelarem que Cook confidenciara a líderes seniores que estaria cansado e gostaria de diminuir sua jornada de trabalho.
O cenário de mudança inclui:
Tim Cook deve se tornar presidente do conselho da Apple (chairman);
Múltiplos executivos seniores sendo preparados como candidatos;
Transição gradual planejada para garantir estabilidade;
Preferência absoluta por sucessor interno, não externo.
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A saída de Jeff Williams, ex-COO da Apple, em julho de 2025 (com aposentadoria definitiva no fim do ano) eliminou aquele que era considerado o sucessor natural de Cook. Essa mudança abriu espaço para Ternus disparar na frente.
Embora Ternus seja o favorito, a Apple está preparando outros executivos internos como possíveis sucessores:
Craig Federighi – Chefe de software, carismático e tecnicamente brilhanteç;
Eddy Cue – Líder de serviços, responsável por Apple Music, iCloud e Apple TV+;
Greg Joswiak – Diretor de marketing mundial, com forte presença pública;
Deirdre O’Brien – Chefe de varejo e recursos humanos.
Mas relatos de fontes internas indicam que Ternus “disparou à frente do pelotão” como o candidato mais provável.
Antes de revolucionar smartphones, John Ternus tinha outro talento: natação competitiva. Graduado pela Universidade da Pensilvânia em 1997 com diploma em engenharia mecânica, Ternus foi atleta destacado do time masculino de natação da universidade.
Em 1994, ele venceu os 50 metros livres e os 200 metros medley individual numa competição universitária. Os registros do departamento de atletismo da UPenn listam Ternus como um dos nadadores mais distinguidos da história da escola.
Seu projeto de conclusão de curso também revela sua visão humanista: ele projetou um braço robótico de alimentação que quadriplégicos poderiam controlar usando movimentos da cabeça.
Depois da faculdade, Ternus trabalhou por quatro anos na Virtual Research Systems, empresa pioneira em realidade virtual nos anos 90. Essa experiência com headsets VR e interfaces imersivas seria fundamental décadas depois, pois ele lideraria o desenvolvimento do Apple Vision Pro.
Nos últimos anos, a Apple tem deliberadamente colocado Ternus sob os holofotes. Ele passou a apresentar novos produtos em eventos importantes da empresa, um papel tradicionalmente reservado apenas para os executivos de mais alto escalão.
Aparições públicas recentes incluem:
Recentemente, quando a Apple lançou a linha iPhone 17, foi Ternus quem recebeu os primeiros clientes na loja da Regent Street em Londres — um papel que Tim Cook tradicionalmente desempenha na loja da Quinta Avenida em Nova York.
A mensagem é clara: a Apple está preparando o terreno para sua ascensão.
A possível nomeação de Ternus provocou intenso debate entre ex-funcionários e equipes atuais da Apple sobre que tipo de líder a empresa realmente precisa.
De um lado: aqueles que valorizam a estabilidade e previsibilidade que Tim Cook trouxe. Sob sua liderança, o valor de mercado da Apple explodiu para mais de US$ 4 trilhões, e a receita anual se aproxima de meio trilhão de dólares.
Do outro: quem argumenta que a Apple precisa recuperar o espírito visionário e arriscado de Steve Jobs, que estabeleceu as fundações do sucesso da empresa com produtos revolucionários.
Cameron Rogers, ex-gerente de engenharia de produto e software da Apple entre 2005 e 2022, resume bem: “Se você quer fazer um iPhone todos os anos, Ternus é o cara certo. Porém, a questão é se a Apple precisa de um inovador ou de outro gestor habilidoso.”
Idade perfeita: Aos 50 anos, Ternus espelha a idade que Cook tinha quando assumiu o cargo em 2011, permitindo potencialmente uma década ou mais de liderança estável
Conhecimento profundo: Domínio completo da cadeia de suprimentos da Apple, relacionamentos estabelecidos com fornecedores globais e compreensão íntima de como a empresa funciona
Temperamento equilibrado: Descrito como carismático, bem-querido e com forte atenção aos detalhes — características essenciais para liderar uma organização do tamanho da Apple
Background técnico: Primeiro CEO com formação em hardware em mais de três décadas, justamente quando a empresa explora IA e realidade mista
Exposição limitada a política: Passou toda a vida adulta como engenheiro no Vale do Silício, com pouca experiência nas questões políticas e regulatórias que o cargo de CEO exige
Focado em manutenção: Conhecido internamente mais por manter e aperfeiçoar produtos existentes do que por desenvolver conceitos completamente novos
Perfil discreto: Diferente de Cook (e especialmente de Jobs), Ternus tem estilo extremamente reservado, o que pode ser desafiador para representar uma marca global
Ternus tem supervisionado várias iniciativas críticas da Apple nos últimos anos:
Transição para chips Apple Silicon – Abandono dos processadores Intel em favor dos chips próprios da Apple nos Macs;
Atualizações estratégicas do iPhone – Decisões sobre recursos premium vs. modelos básicos;
Apple Vision Pro – Desenvolvimento do primeiro headset de realidade mista da empresa;
Integração de design – Trabalho em conjunto entre equipes de diferentes produtos.
Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management e veterano observador da Apple, acredita que Ternus é não apenas a escolha certa, mas a única opção viável.
“Liderar a Apple é como governar um pequeno país”, explicou Munster. “Há muito poucas pessoas, se é que existem, que poderiam entrar de fora e comandar a Apple. Tem que ser alguém interno, já preparado e consciente de todas as nuances de administrar a empresa.”
Munster discorda, porém, de relatórios que sugerem que Cook deixará o cargo nos próximos meses. Em vez disso, ele acredita que Ternus assumirá uma função de co-CEO ao lado de Cook antes da aposentadoria definitiva do atual líder.
O planejamento de sucessão ganhou urgência adicional porque a Apple enfrenta uma rotatividade mais ampla de executivos:
John Giannandrea (vice-presidente sênior de IA) tem futuro incerto após contratempos no desenvolvimento da Siri;
Johny Srouji (chefe de tecnologias de hardware) está “avaliando seu futuro”;
Lisa Jackson (líder de política ambiental) também considera aposentadoria.
Para uma empresa que se orgulhava de estabilidade organizacional durante todo o mandato de Cook, a possível saída simultânea de vários executivos seniores marca uma mudança significativa.
Cook tem dado sinais contraditórios sobre seus planos de aposentadoria. Em janeiro de 2025, disse à CNBC que não consegue imaginar “não fazer nada” e que “sempre vai querer trabalhar”.
No entanto, fontes da Bloomberg relatam que Cook começou a expressar internamente o desejo de reduzir gradualmente suas responsabilidades, mantendo-se como presidente do conselho para garantir continuidade.
Essa abordagem faz sentido: permite que Cook permaneça influente enquanto dá ao sucessor tempo para se estabelecer sem a pressão de uma transição abrupta.
Embora nenhum anúncio oficial tenha sido feito, várias fontes convergem para um cronograma provável:
A Apple historicamente gerencia transições de liderança de forma deliberada. A nomeação de Cook por Steve Jobs, por exemplo, foi cuidadosamente planejada e executada ao longo de meses.
Para investidores, a questão central não é tanto quem substitui Tim Cook, mas se a Apple consegue preservar seu modelo de execução impecável.
O que importa para Wall Street:
Nesse sentido, Ternus parece uma escolha conservadora mas sólida — alguém que conhece profundamente a máquina e pode mantê-la funcionando suavemente.
A grande questão é se “mais do mesmo” é suficiente num mundo onde a IA está redefinindo a tecnologia e concorrentes como Microsoft, Google e até Samsung investem pesadamente em apostas mais arriscadas.
Inevitavelmente, qualquer novo CEO da Apple será comparado a Steve Jobs, o visionário que transformou a empresa numa das marcas mais valiosas do mundo.
Mas essas comparações são, em grande parte, improdutivas. Jobs foi um fenômeno único — um tipo de líder que aparece talvez uma vez por geração. Esperar que alguém replique sua combinação de visão de produto, instinto de design e carisma é simplesmente irreal.
Tim Cook provou que é possível ter enorme sucesso seguindo um modelo completamente diferente: operações impecáveis, execução consistente e expansão de serviços.
Ternus representa potencialmente um terceiro modelo: o engenheiro-CEO que entende tecnologia profundamente, pode guiar roadmaps de produto com autoridade técnica e manter a disciplina operacional que Cook estabeleceu.
A realidade é que liderar a Apple no pós-Cook/pós-Jobs será incrivelmente desafiador. A empresa enfrenta:
Ternus terá que navegar todos esses desafios enquanto mantém a Apple crescendo e inovando.
John Ternus representa essencialmente uma aposta de continuidade. Ele conhece a Apple por dentro e por fora, compreende seus produtos profundamente e demonstrou capacidade de tomar decisões estratégicas inteligentes que equilibram inovação e rentabilidade.
Se você acredita que a Apple precisa:
Mas se você acha que a Apple precisa:
A verdade provavelmente está no meio: Ternus pode não ser o próximo Steve Jobs, mas pode muito bem ser um líder sólido e competente que mantém a Apple próspera por mais uma década.
E, honestamente, para a segunda empresa mais valiosa do mundo, talvez isso seja exatamente o que é necessário.
Você acha que John Ternus está preparado para liderar a Apple? Ou a empresa deveria buscar um perfil mais visionário? Comente sua opinião!
Fonte: TudoCelular
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